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quarta-feira, 19 de julho de 2017

"Alerta de Risco", Neil Gaiman


Autor(a): Neil Gaiman
ISBN: 9788551000304
Páginas: 304
Editora: Intrínseca


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skoob

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Falar em Neil Gaiman é falar sobre como ele se utiliza do fantástico para retratar o cotidiano. O mágico é que, mesmo parecendo ser essa a sua fórmula, ele consegue transformar suas histórias em criaturas próprias, singulares. Você sabe o que esperar, você sabe que será surpreendido, mas, dentro dessa sua expectativa, que você sabe que irá se realizar, você não deixa de ser pego de surpresa.

Alerta de Risco, com o subtítulo contos e perturbações, não fugiu dessa minha impressão. Os contos mais cotidianos, que beiraram o comum, foram os que mais me agradaram. Situações que passariam despercebidas pela mente de qualquer pessoa, como a conversa de um filho com sua mãe sobre o que é "se aventurar" para cada um deles, ganha outra dimensão na mente de Gaiman.

Durante a leitura, fui sendo levado a repensar no título que reúne esses contos, alerta de risco, que numa tradução literal do inglês seria alerta de gatilho. O fantástico acaba beirando as possíveis situações extremas, servindo de gatilho para pensarmos nesses exageros, nos "e se...", nas nossas próprias perturbações. A escolha desse título, então, parece brincar com os sentidos das histórias, um alerta que o próprio autor nos diz que não acredita haver a necessidade de existir, ao que ele mesmo fala que a ficção não é um lugar seguro. Ao lermos ficção os olhares se misturam, do leitor e do escritor; histórias de vidas que se mesclam deixando impossível se imaginar o sentido que o leitor irá captar. Daí o risco.

Apesar de ter mergulhado bastante nos contos, o que me surpreendeu muito, a leitura teve seus altos e baixos para mim. Os contos que tiveram uma predominância do fantástico acabaram não sendo tão perturbadores quanto os mais cotidianos. Não consegui imergir muito bem neles. Não me misturei nestes. Mas é um livro que recomendo muito, sei que um dia irei relê-lo; tem vários contos que gostaria de visitar novamente. Acho, ainda, um bom começo para quem ainda não teve contato com o autor.


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