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quarta-feira, 24 de maio de 2017

"Um Amor Incômodo", Elena Ferrante


Autor(a): Elena Ferrante
ISBN: 9788551001370
Páginas: 176
Editora: Intrínseca


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Após ter lido os dois livros da autora publicados pela editora Intrínseca, A Filha Perdida e Um Noite na Praia, sinto uma curiosidade para ver que sentimentos, a trama desenredada por ela, vai me causar. O que acaba ficando mais claro pra mim é, como o título deste livro traz, um incômodo. Seja ele por perceber sentimentos das personagens em mim ou por achá-los absurdo elas o terem.

Um amor incômodo, traz a história de Dalia, que ao perder a mãe, irá rememorá-la ao percorrer a cidade onde viveu. Até aí, nada surpreendente. Mas a forma com que Ferrante vai nos narrar essas memórias, é um tanto quanto peculiar.

Ao longo de suas palavras, vamos percebendo que não podemos "confiar" em nossa narradora. Confiar no sentido factual das coisas. Passado e presente se enredam de uma maneira tão intrincada, por vezes confundindo-se, que acaba deixando a vida de Dalia permeada de fantasmas. Lugares e pessoas que estão e não estão ali. Momentos vivenciados mas não sempre experienciados. E uma presença marcante do corpo.


Corpos.

Corpos fluidos, sólidos, dados, tomados, sexualizados, objetificados. Corpos que são apenas corpos. Corpos que são. 


Meu incômodo não ficou somente nos elementos trazidos pela autora, mas também em sua escrita. Mesmo entrando de cabeça em sua forma narrativa, em que o imaginário e o real se misturam, houve momentos que isso me fez desgarrar da leitura e várias passagens eu tive que voltar e me ater mais. Refletindo sobre isso agora, posso considerar isso como um reflexo da personagem, meio que uma reprodução de sua forma de ser nesse fragmento de sua história que está sendo contada; mas foi algo que acabou por não tornar a leitura muito prazerosa.

Ao caminhar para o final do livro, o real foi ganhando espaço e o onírico, sentido. Me deixando muito satisfeito com a trilha percorrida até aqui, mesmo com o pequeno percalço narrativo em que falei anteriormente. Mas como eu falei no início, pela minha experiência até então, ler Ferrante sem um certo incômodo, não seria ler Ferrante.


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