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quarta-feira, 3 de agosto de 2016

"Lugar Nenhum", Neil Gaiman


Autor(a): Neil Gaiman
ISBN: 9788580578997
Páginas: 336
Editora: Intrínseca

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skoob

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Ao caminhar pela cidade, fazendo o percurso de todos os dias, quantas coisas não estão ou se tornaram invisíveis aos olhos. Quantas pessoas eu já não enxergo mais? Cresci e já não percebo a magia? Cresci e já estou tão afogado no ritmo capital que não vejo o outro? Àqueles que, por caírem nas fendas, não se encontram mais aqui em cima e vivem, agora, na Londres de Baixo.

Richard Mayhew, ao ajudar uma garota caída no meio da rua, vê-se envolto numa situação que, sem saber, o faz cair nessa fenda. Ele conhece a Londres de Baixo. Habitada por todos aqueles que não mais são enxergados pelos londrinos de Cima.

Uma garota que está perseguida por assassinos, que fala com ratos. Uma arauta dos ratos que o guia ao Mercado - único lugar onde há trégua entre os diferentes povos do submundo -, este, que nunca acontece no mesmo lugar. Um anjo. Trocas. Tudo acontece por trocas: segredos, informações, um favor.

Tudo o que Richard quer é voltar para casa, mas ajudar Door, a garota que abre portas, é o único meio para ele conseguir seu objetivo.

A forma com que Neil Gaiman nos traz todos esses elementos que citei acima é característico do autor. Ele transforma o crível cotidiano no incrível com uma naturalidade tão fluida que não estranhamos nada o que nos é contado. Até o estranhamento de Richard, ao vislumbrar pela primeira vez a Londres de Baixo e tudo o que ela têm a oferecer, passa quase despercebido.

Toda a magia do livro, pra mim, ficou nessa transformação do que se torna invisível aos olhos em algo fantástico. E a possibilidade de parar para pensar sobre o que faz as pessoas caírem nas fendas e não mais existirem aqui em cima. Assim que terminei a leitura, fui assistir à série de tv baseada no livro, e visualizar os habitantes da Londres de Baixo tornou essa reflexão ainda mais palpável e um pouco mais cruel.

Apesar de só ter levantado aspectos positivos da leitura, esta não me foi tão prazerosa. Não foi o tipo de livro que me envolveu e me deixou ávido para saber mais e ter a sensação que as páginas passavam sozinhas. Meu ritmo foi lento e as doses foram pequenas. O pós-leitura foi mais recompensador do que a leitura em si. O "parar para pensar", com todo o contexto em mente, está-me sendo muito rico. Assim como Richard, passo a ver um novo mundo se revelar diante dos meus olhos. Um mundo que sempre vi, mas que, no meu mundo cotidiano acaba se tornando plano de fundo.



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