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quinta-feira, 9 de junho de 2016

"O Fim da Eternidade", Isaac Asimov


Autor(a): Isaac Asimov
ISBN: 9788576570417
Páginas: 255
Editora: Aleph

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Acredito que, em algum momento de sua vida, você já quis voltar atrás e mudar aquilo que fez, falou, ouviu (...) e tentar outra coisa. Talvez um pouco diferente. Talvez não tentar absolutamente nada, apenas fazer com que nunca tivesse acontecido. Agora imagine essa sensação de mudança numa escala muito maior. Uma que abranja toda a humanidade.

A Eternidade é uma organização que monitora e controla o Tempo. A partir do século 27, até próximo ao século 100.000 (a partir daí temos os misteriosos Século Ocultos), a humanidade é continuamente observada pelos Eternos - cada qual com uma função específica - e cálculos são realizados com o intuito de verificar como determinadas ações vão se desencadear no futuro. Caso o desenrolar faça algum mal à humanidade, os Técnicos são enviados para alterar tal evento e, consequentemente, o curso da história.


"(...) Uma guerra no 224, espantosamente, sumiu da Realidade como resultado.

Isso não era bom? E daí que personalidades foram mudadas? As novas personalidades eram tão humanas quanto as anteriores e tão merecedoras de vida. Se algumas vidas foram abreviadas, outras foram prolongadas e tornaram-se mais felizes. Uma grande obra de literatura, um monumento ao intelecto e sentimento humanos, nunca foi escrita na nova Realidade, mas várias cópias foram preservadas em bibliotecas na Eternidade, não foram? E novas obras criativas passaram a existir, não foi?" (pg. 40)


Asimov não nos entrega nada logo de cara. Vamos conhecendo cada personagem e cada funcionalidade da Eternidade e as especificidades dos Eternos aos poucos. A cada novidade, mil perguntas iam se formando na minha cabeça, e o medo de não ter prestado atenção em algum detalhe anterior ia surgindo. Mas se isso acontece, como eles conseguem fazer? Quem decide isso? Mas isso é impossível?!?! E o impossível é como Asimov foi amarrando meus questionamentos...

Um ponto que mais me interessou no livro foi o equilíbrio que o autor conseguiu manter entre a tecnicidade da Eternidade e a trama dos personagens. As explicações sobre o Tempo e todos os seus pormenores são aprofundados na medida certa para deixar os ficionados por viagens no tempo vidrados nessas passagens, e não acredito que cansará àqueles que não se interessam tanto e estão mais preocupados com o drama dos personagens. Toda essa tecnicidade, contrastada com as motivações dos personagens, fez com que meu envolvimento com eles crescesse ainda mais. As páginas voavam com minha ânsia de saber mais. Se tudo deu certo. Se tal teoria estava correta ou se ela estragou tudo.

Asimov consegue, em um livro pequeno para os padrões atuais, trazer uma história complexa e envolvente, com tons de thriller que, falando sobre possíveis futuros da humanidade, traz questões pertinentes a todos os Tempos: nossos ideais, nossas escolhas, amores, paixões, hierarquias, conhecimentos... como estamos lidando com esses aspectos que permeiam nossas vidas? Como enxergamos o outro que se encontra no mesmo meio que eu mas, as vezes, pensa tão diferente?

Já havia lido outros títulos do autor, todos com aspectos muito próprios e seus altos e baixos ao longo da leitura. Mas é com esse livro que eu penso: "preciso ler mais Asimov!"


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