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quarta-feira, 13 de abril de 2016

"O Jantar", Herman Koch


Autor(a): Herman Koch
Páginas: 256
Editora: Intrínseca


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skoob

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Não aprendi com minha primeira leitura de um livro do Herman Koch e fui esperando algo que não se concretizou. Esperei um jantar. Um simples jantar. Dois casais. Os maridos são irmãos. Um deles muito famoso; o outro, nosso narrador. Eles se reuniram como sempre fazem, mas desta vez precisavam falar sobre seus filhos. Pensei que a discussão focaria na análise dos casais sobre o futuro dos filhos, mas como estou lendo uma obra do Koch, já deveria ter imaginado que não me depararia só com isso.

A narrativa do autor já havia me incomodado/provocado em "Casa de praia com piscina" (segundo livro dele publicado aqui no Brasil. Tem vídeo sobre o livro lá no canal: link), e em O Jantar essas sensações não foram diferentes.

Dividido em: aperitivo, entrada, prato principal, sobremesa e digestivo; o personagem nos relata, alternando entre o presente - o jantar - e o passado, o que está acontecendo nesse jantar, e o motivo deles estarem ali. A cada novo aspecto, por ele contado, carregado de valores, ele pensa sobre seu passado - seja momentos de sua infância, junto com seu irmão; suas aulas de história, como professor; sua relação com seu filho pequeno ou com sua mulher - se desconstruindo e nos permitindo reconstruir seu momento atual.

No começo do livro temos um pouco de suspense com o que aconteceu com os filhos desses casais para ele precisarem conversar. Me deixou muito curioso e me prendeu bastante na leitura. O relato dos acontecimentos é um pouco cru. Minha sensação é que o autor está fazendo uma descrição do acorrido sem uma carga dramática vinculada; isso ele deixa a nosso cargo, nos deixando livres para colocar nossos próprios sentimentos na situação. E o autor é bom em nos fazer sentir, principalmente incômodo.

Assim como minha leitura anterior, acho que O Jantar não é para todos os leitores. Esse tom descritivo e cru, nos mostra um lado do ser humano que tendemos a não querer olhar muito; pois ele coloca seus personagens em limites éticos, onde qualquer passo em falso pode extrapolar, e muito, o que comumente chamaríamos de aceitável. E, por isso, o incômodo. Mas depois dessa pequena advertência, espero que não sintas medo dessa sensação, pois gostei muito da leitura, ela flui muito bem e acho que vale a pena tentar experimentar.


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