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segunda-feira, 28 de março de 2016

"Prata do Tempo", Leticia Wierzchowski


Autor(a): Leticia Wierzchowski
Páginas: 280
Editora: Record


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Imagine-se vendo um trailer de algum filme que está para sair. Você ainda não leu a sinopse, não sabe do que se trata e, na curiosidade, dá o play.

Um corredor de uma casa, uma mulher andando. Portas. São corredores, escadas, portas e mais portas. Ela se detém em cada quadro que passa. Cada um deles, um retrato de alguém. Pelo olhar dela, algum antepassado. Pelo olhar dela, ainda muito presente em sua vida. São tantas portas e corredores que a casa não parece ter fim. São tantos quadros, que as pessoas parecem estar presentes de carne e osso. Agora você escuta a voz de Laila, enquanto ela escreve:

"Foi por haver um precipício antes e depois de mim que estou aqui, e dessa solidão plena de alturas que eu vou narrar esta história. Aliás, esta é uma história sobre o tempo, história que brotou quando duas almas se encontraram e, como estava escrito nos desígnios do mundo, uniram suas vidas num único caminho. Esta é uma história de paixões, de quartos vazios, de umbrais e segredos, uma história tecida de orvalhos e brisas, frágil, mas com a luz de todas as manhãs que já nasceram sob o céu. Esta é uma história que talvez não tenha fim, e que desliza no eterno compasso das marés." (pg.09)

Enquanto você escuta ela falando, imagens começam a aparecer na tela. As pessoas, antes estáticas nos retratos, vivem seu cotidiano. Vemos nascimentos e mortes. O amadurecimento e o envelhecimento. A vida.


A Leticia Wierzchowski nos traz o trecho acima na abertura do livro, me cativando e me deixando aberto à entrar na vida dos personagens. O tom narrativo, de memórias, me deixou, durante toda a leitura, com a impressão de haver alguma película entre mim e o cenário que desenrolava em minha cabeça, como se eu estivesse vivenciando tudo num sonho. Sua escrita possui um ritmo lento, essencial para apreciar a escolha de suas palavras, tão poéticas, para nos descrever o cenário e, principalmente, os sentimentos dos personagens.

Com uma casa do tamanho do amor, este, assim como a labiríntica construção, se tornam personagens essenciais para a trama. O amor que atravessa gerações e suas infinitas facetas: o amor que distancia, que apaixona, que magoa, fugidio, que aproxima, que dá suporte. Uma leitura que lhe permite se perder por entre corredores, histórias, sentimentos, em si mesmo.

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