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sábado, 7 de novembro de 2015

"Presos que menstruam", Nana Queiroz

Autor(a): Nana Queiroz
Páginas: 294
ISBN: 9788501103673
Editora: Record

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Este livro me chamou a atenção desde a primeira vez que li o título justamente pela curiosidade de conhecer um pouco mais da vida dessas mulheres que não temos notícia nenhuma ou, no máximo, vemos retratadas de forma muito caricaturada na tv e cinema. E quando elas assim aparecem, são em sua maioria nos programas policiais que adoram mostrar esse mundo de forma um tanto carnavalesca, mas não vimos como as mesmas estão após serem presas, não sabemos de suas histórias, as tristezas das que são mães que precisam ficar separadas dos filhos, das grávidas que precisam se separar das crianças com pouco tempo de nascidas e como é dar a luz, dos companheiros que elas perdem por eles não quererem passar por um processo tão desgastante.

O livro conta várias histórias de algumas mulheres que estão presas por crimes diversos. São histórias pequenas e são contadas por vozes diferentes, as vezes algum familiar ou até mesmo alguém que trabalha na prisão as contam, e percebe-se que raras dessas mulheres puderam ter alguma chance na vida. A grande maioria tem família destruída desde o nascimento e, ao descobrirem o amor, também de uma pessoa não estruturada, algumas acabam engravidando e se vendo sozinhas e sem condição nenhuma para cuidar de uma criança e se colocam no mundo do crime para ganhar o sustento dela e o dos filhos.

Não sei dizer até onde a veracidade da história de cada mulher é de fato verídica, até porque muitas se colocam como inocentes perante a jornalista, mas dá pra perceber que o mundo não foi muito justo com a grande maioria. Sendo culpadas ou inocentes (até certo ponto), os locais retratados (as prisões onde foram recolhidos os depoimentos) são desumanos: muitas mulheres não tem a mínima dignidade, muitas ficam psicologicamente e fisicamente doentes, poucas prisões dão acesso a trabalho ou algum tipo de processo de reabilitação, além da própria estrutura física do local.

Cada página lida me incomodava bastante. Um incômodo que me fazia querer ajudar algumas dessas mulheres; abrir os olhos da sociedade, que é muito dura com algumas pessoas, não dando nenhum suporte mínimo de segurança e educação. 

Um trabalho muito corajoso da jornalista de ir atrás dessas mulheres e mostrar esse mundo que a sociedade faz questão de deixar pra lá, porque achar que não precisa ou simplesmente não vale a pena ser mostrado.


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