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sexta-feira, 16 de outubro de 2015

Sentidos do Amor



Encontrar filmes românticos que ultrapassem os clichês, que fujam da pieguice, que traga algo bonito sem ser de maneira repetitiva é difícil. "Sentidos do amor" é uma dessas exceções. O filme consegue nos brindar com uma bela história de amor, cheia de metáforas tão belas quanto.

Por razões desconhecidas o mundo está passando por uma pandemia apocalíptica onde as pessoas começam a perder, pouco a pouco, os sentidos básicos. É nesse contexto nada animador que Susan, uma epidemiologista, e Michael, um chef, sem conhecem e começam um inusitado relacionamento.

Há quem compare com o filme "Ensaio Sobre a Cegueira". Vejo que apesar do cenário apocalíptico, onde se perde um dos nossos cinco sentidos, as semelhanças não são tão grandes. O filme do Meirelles tenta questionar questões sobre a nossa humanidade. O viés da adaptação da obra do Saramago é completamente diferente do de "Sentidos do Amor", que como o título em português deixa claro, foca no relacionamento amoroso dos dois protagonistas.

O filme é cheio de metáforas sobre a perda dos sentidos e os nossos sentimentos. E a maneira como é filmado faz com que o expectador sinta-se realmente experimentando essa perda dos sentidos.

O diretor é muito feliz na maneira que conduz o filme. Na escolha das imagens que muitas vezes parecem documentais, na fotografia granulada, nos recursos de som e imagem que se utiliza para que o expectador possa sentir-se imerso na sua narrativa. E ter como protagonistas Eva Green e Ewan McGregor é um presente no quesito interpretação.

Os dois atores são excelentes e estão maravilhosos juntos. Eles têm uma dinâmica interessante. E a química que os dois têm é muito forte. Eles conseguem passar muito bem a intimidade do casal em meio a um caos tão profundo.

O roteiro do filme aborda questões complexas e se desenrola de maneira complexa. É um filme que te faz pensar, que é verdadeiro, honesto e ainda surpreende. Não é um filme apenas sobre uma catástrofe, é sobre ser humano. Não sei porque demorei tanto para ver. E sei que vou demorar bastante para conseguir parar de pensar sobre ele.


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