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terça-feira, 21 de julho de 2015

Trilogia Blue Ant, William Gibson


O nome de William Gibson, até o momento, pra mim, era sinônimo de Neuromancer; e só. Recentemente escuto comentários que seu escrita não é muito fácil, várias pessoas tinham dificuldade de ler seu romance mais famoso (link do vídeo de neuromancer). E daí surge meu medo de encarar a Trilogia Blue Ant, já que na minha cabeça somou, junto à escrita dele, o tamanho dos livros, que variam de 400-500 páginas. Mas como as sinopses atiçaram minha curiosidade... resolvi encarar.

Composto por três livros independentes: Reconhecimento de Padrões, Território Fantasma e História Zero; as histórias são ligadas por um ponto em comum: a empresa de marketing Blue Ant, gerenciada pelo empresário Humbertus Bigend.

"- Aprendi a avaliar fenômenos anômalos. Coisas muito peculiares que as pessoas fazem, geralmente em segredo, passaram a me interessar de certa forma. Gasto muito dinheiro, com frequência, tentando entender essas coisas. Delas, às vezes, surgem os esforços mais bem-sucedidos da Blue Ant. A Trope Slope, por exemplo, nossa plataforma viral de vendedores, foi baseada em filmagens anônimas postadas na Net." (Território Fantasma, pg.121)

Esse trecho, do segundo volume da série, representa bem o contexto geral que permeia a trilogia. A impressão que tive, é que Bigend está interessado na forma com que nos conectamos com as coisas, como nos relacionamos com o que está em nossa volta; e, assim, pensar em como ele pode utilizar isso no mundo do marketing.

Em Reconhecimento de Padrões, somos jogados no mundo dos fóruns virtuais, onde um trecho de uma gravação é solto na Net, por um autor desconhecido, e como isso aguça a curiosidade das pessoas. São vídeos de aproximadamente 45 segundos, soltos de tempos em tempos, que faz uma comunidade de pessoas especularem se tais vídeos são um único filme, se ele é linear ou não... E esse é o tipo de coisa que, se chama a atenção de muita gente, Bigend quer saber o porquê.

Já em Território Fantasma, nos vemos imersos num jogo de espiões, com um personagem que recorre aos orixás, e ficamos intrigados com uma carga que não para de se mexer e que todos estão atrás dela. Aqui, Gibson vai trabalhar um pouco sobre novas tecnologias, mais especificamente, a realidade aumentada, com o que ele chama de arte locativa.

Com História Zero, eu me encontrei fazendo correlações que não imaginava com o mundo da moda. Nos vemos correndo atrás de uma marca de roupas conhecidas por poucos; que não têm uma loja física, e que só comercializa suas roupas de tempos em tempos. Fora isso, Bigend ainda quer fechar um contrato com o governo para ser o responsável pelos uniformes militares. Achei bem interessante a relação que o Gibson nos mostra entre a moda comercial e os uniformes.

A trilogia, pra mim, teve seus altos e baixos. Apesar de ter ficado completamente perdido no começo de Reconhecimento de Padrões, isso se reverteu assim que eu conseguir mergulhar de cabeça na escrita do Gibson. Isso ocorreu por volta da página 70, quando eu consegui entender o rumo que o livro estava indo. Mas isso se deu, ao meu ver, à escolha que o autor fez em focar na ambientação. A narrativa dele é muito ágil e nos ambienta muito bem, nos apresentando vários detalhes da trama/ambiente (ainda não sei se dá pra separar as duas coisas), e não nos direcionando para alguma reflexão específica. É como se Gibson nos postasse em frente a uma vitrine e dissesse: é isso que tenho para te mostrar; O que te salta mais aos olhos? O que você pensa sobre isso? Que conexões você faz com esses outros elementos da vitrine?

Mas isso não funcionou pra mim em todos os livros. Como disse, apesar de ter me perdido no começo do primeiro, o livro em si foi muito bom. Gostei dos personagens; me vi completamente envolvido com eles e com a trama; fiquei preso no livro. Em Território Fantasma, não teve mapa no mundo que fez com que eu me encontrasse. Fiquei perdido o livro inteiro; salvo pequenos momentos. Diferente dos outros livros, os capítulos curtos deste, quebrou a possibilidade que tive de me envolver com os personagens. Toda vez que a história de um personagem tava começando a ser desenvolvida, o capítulo terminava e ia para outro personagem. E quando retornava ao anterior, já não era a mesma coisa. Minha leitura da trilogia teve esses acidentes de percurso. 

Apesar de serem livros distintos, que funcionam muito bem por si mesmos; alguns elementos de um aparece em outro. E agora, escrevendo para vocês minhas impressões, pude perceber a rede de conexões que o autor me fez enxergar. As inúmeras possibilidades que temos em nossas mãos para transformar as coisas com o uso do conhecimento.

Como foi uma experiência de leitura bem diferente pra mim, eu só posso brincar com aqueles que ficaram interessados: vocês foram avisados. A vitrine é esta. Como olhar para os objetos, aí é com vocês...

Informações:

- Reconhecimento de Padrões (Blue Ant #01)
Ano: 2013 / ISBN-13: 9788576570479 / Páginas: 416 / Editora: Aleph
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- Território Fantasma (Blue Ant #02)
Ano: 2013 / ISBN-13: 9788576571575 / Páginas: 400 / Editora: Aleph
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- História Zero (Blue Ant #03)
Ano: 2015 / ISBN-13: 9788576571858 / Páginas: 514 / Editora: Aleph
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