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quinta-feira, 18 de junho de 2015

"O Livro do Destino", Parinoush Saniee

Autor(a): Parinoush Saniee
Páginas: 462
ISBN: 9788528617818
Editora: Bertrand Brasil


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Massoumeh é uma garota que nasceu em uma família tradicional iraniana em que mulher não serve para outra coisa a não ser ter casar e ter filhos homens (filhas mulheres não são tão bem vindas), porém desde pequena ela sempre teve ideias muito diferentes do que queria para a vida dela e sempre batia de frente, em especial com os irmãos – que a violentavam psicologicamente e fisicamente –, para ter o que almejava; coisas que para nós podem ser bastante normais, como estudar e escolher o próprio parceiro.

A família nascida em Qom mudou-se para Teerã para conseguir uma vida melhor para todos, o que tornou a vida de Massoumeh um pouco menos difícil, visto que a cidade possibilitava que ela pudesse estudar e se vestir de forma menos formal que em sua cidade, além de poder propiciar que ela tivesse novas experiências, como ter uma melhor amiga e uma paixão, coisas que não duraram muito tempo, visto que seus irmãos não deixaram.

Enquanto tudo isso ia acontecendo iniciou-se a procura por um marido para ela, até que a amiga da família conseguiu arrumar um pretendente que fosse menos problemático para que o casamento finalmente acontecesse. Inicialmente tudo eram flores. Ele a permitia estudar e fazer o que quisesse, até ela descobrir o envolvimento político de seu marido e seu sofrimento começar mais uma vez, porque ele nunca estava em casa e ela nunca sabe o que ele está fazendo, até que ela se descobre grávida e sem ajuda. Apos o nascimento do primeiro filho, ela se descobre gravida pela segunda vez, e para piorar o marido se tornou um preso politico. 

Com tudo isso acontecendo ela não pode voltar ao trabalho e nem aos estudos, encontrando-se desesperada para cuidar dos filhos, apenas porque o marido era um prisioneiro politico, enquanto seus irmãos prosperavam na vida, distanciando-se cada vez mais da família, e com isso se sentindo cada vez mais só, visto que o pai era uma das poucas pessoas que ela possuía grande estima. 

Este foi um dos livros que mais me chamou atenção dos últimos tempos. Os motivos são os mais variados. Um deles foi pelo fato de após ter visto na internet uma coisa bastante interessante sobre ler uma autora que resolveu ler um livro de cada país, com isso comecei a me interessar em ir também atrás de livros de países diferentes (esse livro é iraniano) e com isso ter a oportunidade de conhecer outras culturas completamente diferentes; além disso comecei a problematizar muita coisa em relação a mulher, a autora me fez questionar a necessidade de tamanha submissão e violência que elas são submetidas diariamente, além de serem negados os diretos de estudo e até mesmo de saúde por causa da condição do marido (ou da falta dele). Outra coisa foi a questão da religião ser muito presente como uma forma de enclausurar as pessoas nela e usar como desculpa para determinadas violências.

Massoumeh é sim uma das mulheres mais fortes que já li em um romance, até agora não sei como ela consegue enfrentar tanto sofrimento e solidão por causa de uma sociedade tão fechada politicamente falando, além de ser fechada em dogmas tão pesados que me deixa muito feliz por muita coisa, nós brasileiras, termos conseguido (mesmo que ainda tenhamos muito o que conseguir).

Só senti falta, muitas vezes, da passagem do tempo, de conseguir ver com quantos anos os filhos dela estavam, coisa que as vezes só sabia depois de um tempo. Também senti falta de algumas cenas de relacionamento do casal, visto que me deixava bem claro (pelo menos pra mim) que eles nunca tinham nada e do nada ela estava gravida (tanto a primeira quanto a segunda vez).

No mais, me fez ter a certeza de um tipo de leitura que é sempre fascinante para mim, que seriam livros com personagens mais reais, que você sabe que mesmo que não existam podem ter claramente sido baseado em pessoas reais.

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