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segunda-feira, 6 de abril de 2015

"Dois garotos se beijando", David Levithan

Título original: Two boys kissing
Autor(a): David Levithan
Páginas: 224
ISBN: 9788501102096
Editora: Galera Record


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Um beijo. 

O ritmo da vida.

Um beijo, para ser bom, para te tirar do chão, precisa encontrar seu próprio ritmo. Lábios que se encontram, linguas que se tocam, respiração entrando em sintonia.

A vida, para ser bem vivida, precisa encontrar seu próprio ritmo. Pessoas que se cruzam, olhares trocados, palavras. Uns ficam, outros vão, alguns não passam de borrões, outros nem sabemos da existência. E assim, vamos conduzindo uns aos outros. Ritmos que encontram sua sintonia.

David Levithan consegue, na delicadeza de sua escrita, nos mostrar como esses ritmos fluem ou são interrompidos na vida de alguns jovens gays. Em “Dois garotos se beijando” acompanhamos a história de alguns desses jovens e seus relacionamentos. Vemos um casal que já estão namorando há um tempo; grandes amigos que foram um casal; um casal em formação; e um garoto que tenta lidar com sua homosexualidade em salas de bate papo e aplicativos para celular.

Acompanhamos a história através dos olhos de homens que já morreram. Falam com um sentimento de nostalgia e/ou pesar, aproximando o que acontece no presente, com o que eles um dia vivenciaram, como a luta com a disseminação da AIDS, com o preconceito das outras pessoas, como foi para mostrarem-se quem realmente eram... A reflexão dessas pessoas com os acontecimentos do livro nos dá uma carga emocional mais intensa, permitindo imaginarmos como seria estar na pele deles, naquela época, e ter uma empatia ainda maior com aqueles que estão vivenciando tais questões agora.

Porque, quando você beija alguém, não consegue ver a pessoa. Ela se torna uma mancha. Você precisa usar o tato como orientação, a respiração como conversa. Depois de muitas tentativas, eles encontraram o ritmo. (pg. 56)

Um beijo para ser visto. 

Um beijo para ser reconhecido.

Todo o livro, a meu ver, é construído nessa intenção: mostro-me para ser reconhecido. Não subentenda minha existência, fale comigo que eu existo. 

Levithan consegue ir além de um choque que alguns podem ter ao ver ou imaginar um beijo entre duas pessoas do mesmo sexo. Ele evidencia como esses relacionamentos “tão diferentes”, alguns podem pensar, são tão iguais a todos os outros. Que o desejo entre eles não difere de um afeto heterossexual, mas apenas o olhar dos outros sobre esse relacionamento é que dá essa característica distinta.

Apesar do foco da narrativa para o público gay, recomendo essa leitura pra qualquer pessoa. A escrita simples e delicada de Levithan faz com que você reflita sobre os relacionamentos mostrados e com que essas reflexões reverberem para outros aspectos da vida.








Quem se interessar em conhecer mais sobre o livro, ou quem já leu e quiser conversar um pouco mais sobre ele, assista ao vídeo abaixo:


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