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segunda-feira, 27 de abril de 2015

"A Ilha Perdida", Maria José Dupré

Autor(a): Maria José Dupré
Páginas: 128
ISBN: 9788508026814
Editora: Ática


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Quem nunca leu este livro é porque não nasceu em meados da década de 80 e teve sua infância na década de 90. É porque não o teve como paradidático na escola e precisou fazer algum texto ou apresentação sobre ele. Um dos livros mais encantadores que li na escola (atrás apenas de todos os livros de Manuel Bandeira e, principalmente, da coleção d’Os Karas). Entretanto, tenho uma confissão a fazer. Quando o li pela primeira vez tive uma decepção enorme! Eu o confundi com A Ilha do Tesouro (que ainda não tinha lido na época e estava louca para ler) e precisei ler mais algumas vezes para gostar dele.

A Ilha Perdida se passa em Taubaté, numa época que pra mim nunca existiu (muito distante da minha realidade) e talvez por isso tenha me encantado (depois de ter passado a decepção, lógico). Conta a história de uma aventura que Henrique e Eduardo, garotos da cidade grande, tiveram quando de visita à fazenda do Padrinho e da Madrinha; começando por escutarem histórias sobre uma ilha envolvida em mistérios (onde ninguém jamais tinha ido) que ficava no meio do rio Paraíba e o achado de uma canoa velha que lhes fizeram ter a ideia de ir até a ilha e explorá-la um pouco. Maria José Dupré narra tudo, desde o planejamento até o plano sendo colocado em prática, de uma forma tão simples e tão cativante que fica impossível uma criança não se encantar ou querer fazer o mesmo (acredite, quando reli a história tive uma imensa vontade de embarcar numa aventura assim). A forma como ela narra os irmãos chegando à ilha e as dificuldades que passam – primeiro por causa de uma enchente, depois pela falta de comida, seguida pela perda da canoa – e como os irmãos se perderam um do outro, faz você pensar que seria mágico participar de uma aventura dessas, além de se precaver muito mais que os irmãos.

Imagine o que é para uma criança ler sobre a independência de outra criança? Ler sobre como ela remou até uma ilha desconhecida, enfrentou um rio inicialmente de águas calmas, a falta de comida, dias e dias perdidos numa mata isolada cheia de coisas e bichos desconhecidos. Apenas imagine. Torna-se fácil lembrar porque o livro encantou tanto. E qual criança (e adulto) não ficaria feliz em encontrar um ermitão que vivia do que a ilha oferecia, longe de tudo e todos? Este era Simão, que numa noite, depois dos garotos passarem alguns dias perdidos na ilha, encontrou Henrique deitado na areia esperando seu irmão, Eduardo, voltar com alguma comida. Simão levou Henrique consigo, tendo-o inicialmente como um prisioneiro e depois como companheiro de jornada, passou dias e dias com Henrique, ensinando sobre a natureza e como sobreviver dela e nela, transformando os dias de Henrique numa aventura nova sempre que abria os olhos. E, ainda assim, pensava com pesar e tristeza em seu irmão e em sua família, até que um dia ele é liberado e vai procurar o irmão e pouco tempo depois empreendem a volta pra casa numa jangada improvisada feita por Eduardo. E quando chegam a casa descobrem que sumiram por mais de uma semana, arrefecem todas as preocupações dos padrinhos e contam suas aventuras.

O mais interessante deste livro é que ele tinha tudo para ser uma história mais pesada, mais triste e mais dramática; mas, como disse antes, a autora foi de uma leveza tal que você não sente muito o desespero de se estar perdido ou meio morto de fome, ou mesmo aquele desespero de se um dia conseguirá voltar para casa.

Sem dúvidas, voltei à minha infância ao ler A Ilha Perdida e, assim como na minha infância, a alegria de ler uma aventura foi igual, talvez ainda mais especial porque agora o coração adulto compreendeu o encanto do coração infantil por tal história.

Quem não iria querer viver numa ilha perdida afinal de contas?

A resenha faz parte do Reading Challenge 2015, o livro se encaixa na categoria "um livro da sua infância".


Naiara Benjamin

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