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terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Crônica: "Diário"



Aos nove anos ganhei meu primeiro diário. Era vermelho e, pra mim, uma garota que gostava muito de ler e escrever, era o melhor presente do mundo.

Naquelas folhas de papel colorido eu descobri um dos meus relacionamentos mais constantes: o com a palavra escrita.

Os anos foram passando e eu troquei os diários com espaço com cadeadinho e espaço para colocar a data por agendas bonitas e elaboradas, mas a função continuou a mesma. Eu escrevia meu dia, meus medos, minhas felicidades, tudo sem medo de julgamento. Porque naquelas páginas a única pessoa com o poder de me julgar sempre fui eu mesma.

O problema é que um belo dia resolvi que não queria mais manter um diário. Passei a acreditar que estava velha e ocupada para isso. Além de achar que estava perdendo meu tempo narrando minha vida e meus sentimentos mais íntimos. Eu já passava tanto tempo escrevendo mesmo...

Um ano depois, sem diário, sem anotações do que aconteceu neste ano, quero retomar meu hábito de contar para mim mesma minhas experiências. Sinto falta de reler o que aconteceu, reavaliar minhas escolhas através das minhas próprias anotações, ao invés das minhas lembranças já esmaecidas. Quero poder ler as mudanças da minha vida e, mais importante, as mudanças em mim mesma.

Sinto falta de saber que deixei um pedaço tão íntimo de mim mesma escrito, um que não é um livro, uma crônica, uma crítica de alguma forma de arte existente; é algo muito mais pessoal e sem nenhum valor comercial. Todo o valor que tem é sentimental.

Meu próximo presente para mim mesma é um diário.


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