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sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

"Casa Grande"



Casa Grande conta a história de Jean, um menino que mora na Zona Sul do Rio de Janeiro e sempre teve uma vida bastante confortável dentro da sua casa grande. Em geral, muito mais confortável do que a dos seus próprios amigos, adolescentes que, em sua maioria, também não vivem mal.

Através de uma crise financeira que se instaura na família boa parte da dinâmica de Jean com seus familiares, amigos e empregados passa a se transformar. É em meio a essa crise que vamos acompanhando uma jornada meio cíclica que mostra o garoto se descobrindo e transformando em homem.

Casa Grande apesar de ter como protagonista um adolescente e falar com um público jovem e consumidor de filmes mais blockbusters, segue uma linha bastante comum no atual cinema brasileiro. Ele tenta retratar questões sociais e econômicas comuns a nossa sociedade. Falar das distinções de classes e dos pequenos e não tão pequenos preconceitos que já estão incutidos nas mentes do povo e que muitos não têm nenhuma vontade de discutir, repensar e modificar. Junte a isso uma tentativa de esteticamente não ser vazio, de através dos seus enquadramentos colocar uma reflexão, mostrar referências audiovisuais.

Em alguns aspectos o filme se sai bem. Os personagens da família de Jean são bem construídos, cada um tendo papel fundamental na história. É interessante observar o personagem do pai do Jean. Ele é um retrato interessante do homem de negócios de uma classe média alta, cheio de ideias preconcebidas, mas que de maneira alguma é um ser humano ruim na sua essência. Homem este que se vê perdido quando não tem mais dinheiro para manter o excessivo padrão de vida da família. Já os personagens dos empregados são bem mais simplistas que a maioria. Não se tem as nuances de roteiro que se observa na namorada mestiça de Jean ou mesmo na mãe do garoto.

Ainda que nem todos os personagens tenham a mesma construção minuciosa de roteiro, as interpretações são todas muito pontuais e bem realizadas. Marcelo Novaes se sobressai como o pai do protagonista em uma das suas melhores interpretações.

O curioso em Casa Grande é que ele flerta bastante com o cinema mais autoral feito no Brasil, tentando colocar questionamentos e reflexões atuais na sociedade e no cinema nacional, tem uma estética relativamente mais bem trabalhada que a da maioria dos filmes feitos parra o circuito comercial, mas ainda dialoga bastante com esse mesmo circuito.

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