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quinta-feira, 16 de outubro de 2014

"Hotel Íris", Yoko Ogawa

Autor(a): Yoko Ogawa
Título original: Hakase no aishita sushiki
Páginas: 205
ISBN: 9788580440904
Editora: LeYa

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Sou admiradora da cultura japonesa, porém tenho poucos livros lidos de autores nipônicos. Então, quando me deparei com este livro, antes da própria sinopse, me chamou a atenção a autora. E foi assim que comecei a ler "Hotel Íris".

Mari é uma jovem de 17 anos que administra, junto com a mãe, o Hotel Íris, modesto, mas sempre lotado. Ela cuida da recepção todas as noites numa rotina entediante, sem esperar que aconteça nada de grandioso na sua vida, até que certo dia um incidente entre uma prostituta e um velho tradutor muda sua visão de mundo.

O livro me despertou emoções ambíguas. Da mesma forma que admirava a narrativa e sua constância e ficava bem curiosa com o caminho que o enredo seguia, as ações de alguns personagens me incomodavam. Para mim, a Mari é uma personagem contrastante. Me parece que a protagonista espelha no relacionamento com o tradutor algo da rotina controladora que sua mãe impõe. Ela foge tanto da dominação materna, não se sente a vontade com as expectativas dela, mas ao mesmo tempo, se submete a outro tipo de dominação pelo tradutor.

O livro apresenta de forma sutil algumas cenas de sexo e sadismo. Mari é constantemente sujeita a humilhação do tradutor quando estão sozinhos e confesso que essas cenas me incomodaram um pouco. Não sei se pela idade da Mari ou pelas próprias ações do tradutor, mas ficava desconfortável quando as lia e esse sentimento foi o que me fez gostar menos do livro.

A aparição do sobrinho do tradutor foi um dos pontos que mais gostei, mostrando um lado mais gentil e sentimental dele e mexendo bastante com os pensamentos da Mari. Foi uma adição bem vinda e que deu novas nuances ao relacionamento dela com o tradutor.

Tenho que destacar a narrativa da Yoko Ogawa, que realmente é muito boa. Não estou dizendo que a leitura é fácil: o ritmo é constantemente lento e é mais reflexivo do que descritivo. Foi meu primeiro contato com sua escrita e eu pretendo procurar mais livros dela, mesmo que "Hotel Íris" não tenha me conquistado totalmente.

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