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segunda-feira, 29 de setembro de 2014

"Fluam, minhas lágrimas, disse o policial", Philip K. Dick

Autor(a): Philip K. Dickz
Título original: Flow my tears, the policeman said 
Páginas: 256
ISBN: 9788576571308
Editora: Aleph

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Jason Taverner é um rico e bem sucedido cantor e apresentador de televisão, com um programa semanal de 30 milhões de espectadores. Consegue tudo que quer: fama, dinheiro, poder e (muitas) mulheres. No primeiro capítulo da história, já conseguimos traçar o perfil exato do personagem principal. Taverner é pretensioso, seguro de si, carismático e visualmente impecável.



Um dia, após um incidente com uma de suas amantes, ele acorda em um desconhecido quarto de hotel. Sem saber como chegou lá, confuso e com os seus documentos desaparecidos, percebe que não é reconhecido por mais ninguém. Da noite para o dia, Taverner virou o que a sociedade chama de "despessoa". Desordenado, tenta em vão buscar ajuda com uma falsificadora de documentos, tentando arranjar uma identidade temporária até que consiga entender o que acontece à sua volta e provar a todos que um dia teve uma platéia de 30 milhões de pessoas.

"Fluam, minhas lágrimas, disse o policial" foi escrito por Philip K. Dick em 1974. Foi minha primeira experiência com o escritor e, de cara, me apaixonei por esse livro que tem uma classificação um pouco confusa, que oscila entre ficção científica, policial e suspense psicológico.

A história se passa no "futuro" de 1988, e a genialidade já começa por aí. Dick cria uma sociedade sintética, profundamente capitalista, burocrática e fortemente vigiada pela polícia (os pols e os nacs). Quando começamos a leitura, além do estranhamento causado pela condição do personagem principal, admiramos a complexidade do mundo criado pelo autor e, ainda assim, conseguimos traçar semelhanças profundas entre a sociedade da obra e a que vivemos hoje. Dick também utiliza bastante o discurso indireto livre ao se referir aos pensamentos de Taverner, além de criar situações absurdas, quase surreais, o que dá uma sensação de paranóia e alienação, instigando o leitor a continuar até sair dessa situação.

Outro ponto forte da narrativa são os diálogos. Ao buscar as pessoas que anteriormente conhecia (algumas de maneira muito íntima) e ao tentar convencê-las do que foi um dia, Taverner acaba gerando discussões filosóficas e sarcásticas (com uma boa dose de pessimismo) sobre as relações interpessoais, o amor, a liberdade, a identidade, o conceito de "bem sucedido" e a alienação de si mesmo. Enfim, apesar dos diversos pontos positivos de "Fluam, minhas lágrimas, disse o policial", a melhor parte está no fim da narrativa. Totalmente "mindblowing" e surpreendente, dá o toque final a este livro incrível. Sua leitura vale muito a pena.


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