Image Map

quinta-feira, 26 de junho de 2014

"Triste Fim de Policarpo Quaresma", Lima Barreto

Autor(a): Lima Barreto
Páginas: 182
ISBN: 850804318X 
Editora: Ática 

► ADICIONE À SUA ESTANTE ◄
skoob

• • •

O livro conta a trajetória do incompreendido Policarpo Quaresma e seus projetos para exaltar a sua Pátria amada, o Brasil. A obra é dividida em três partes, cada uma representando um projeto de exaltação.

Na primeira, as personagens são apresentadas e temos o primeiro retrato de Policarpo, um homem inteligente e dedicado, mas solitário e sonhador. Também temos o relato do primeiro projeto do personagem: mudar a língua nativa do Brasil (de Português para o Tupi-Guarani). Obviamente não dá certo e Policarpo acaba sendo ridicularizado por seus conhecidos. Na segunda parte, é apresentada a sua tentativa de exaltar a riqueza e a prosperidade de nossas terras. Nas suas 'tentativas agrícolas', após a rejeição de sua proposta inicial, ele tenta mostrar que o Brasil tem terras férteis e autossuficientes.

Na terceira, depois do fracasso de seus projetos agrícolas, Policarpo resolve engajar-se no cenário militar brasileiro e participar da Revolta da Armada, e tudo culmina em seu triste fim.

A história de Policarpo Quaresma seria cômica se não fosse trágica.

Basicamente, o personagem principal representa não só o patriota perfeito mas também o indivíduo que tem toda a teoria, mas nenhuma prática nem malícia, uma crítica constante e escancarada no romance. Por exemplo, Policarpo sabia o nome de todas as espécies de plantas nativas do nosso país, mas não sabia plantar nem colher. Essa é a base para a auto-destruição do personagem.

Lima Barreto não tem uma escrita muito envolvente, mas flui tranquilamente. A linguagem é bem popular, parte da crítica do autor à aristocratização da literatura que dominava o período da obra (que é considerada pré-modernista). Porém, o autor não se aprofunda na construção de alguns personagens. Ele foca principalmente em seu personagem principal e a sociedade tem um papel coadjuvante, o que aumentou a distância entre os sonhos do protagonista e o mundo real.

Enfim, a característica mais interessante da obra é que percebemos Policarpo lenta e gradativamente "caindo na real". Ele é determinado, bem intencionado, só quer que sua Pátria tenha o reconhecimento que merece, porém é oprimido e humilhado por toda a hipocrisia, preguiça e negligência da sociedade brasileira (coisas que perduram até hoje) e que, afinal, não têm solução. A Pátria perfeita não passa de uma utopia que parece cada vez mais distante.


0 Comments:

Postar um comentário