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quinta-feira, 22 de maio de 2014

"A filha da minha mãe e eu", Maria Fernanda Guerreiro

Autor(a): Maria Fernanda Guerreiro
Páginas: 272
ISBN: 9788563219152 
Editora: Novas Páginas (Novo Conceito) 

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– Está doendo aqui – e apontei para o coração enquanto continuava entre soluços. – Se os minutos não param como você disse, então está cada vez mais perto da hora que você vai morrer – e, nessa hora, abracei o pescoço do meu pai o mais forte que pude

Livro simples, mas com algumas passagens que me fizeram refletir bastante e até marcar o livro a lápis. Ele conta a história de uma família como outra qualquer. Essa, em especial, é um casal hétero com dois filhos (uma garota e um garoto), classe média, com suas questões e conflitos.

O livro se inicia de fato, quando Mariana (a filha) se vê grávida, se sentindo sozinha, com medo de não ser uma boa mãe. Com isso, começa a pensar em como foi sua vida como filha e a relação com sua mãe, seu irmão, pai e familiares, junto com lembranças que ela preferiria esquecer.

A relação com a mãe sempre foi bastante difícil, um misto de amor e ódio, que repercutiu durante o resto de sua vida até aquele momento, visto que ao mesmo tempo no qual se sentia protegida pela mãe quando alguém mexia com ela, mas ambas viviam brigando por pequenas coisas. Além disso, ela começa a relatar como sempre achou que sua mãe preferia seu irmão, porém, ela sempre foi a preferida de seu pai e esse era basicamente o motivos de muitas (ou todas) as brigas que eles tiveram.

Como o livro é em primeira pessoa ele fica muito pessoal, já que nunca é possível perceber o que de fato os outros personagens estão pensando e o que eles estão fazendo é o que realmente aconteceu. Mas ainda assim, fui pega de surpresa pelo livro, não achei que fosse tão bom. E sim, após alguns livros lidos, percebi que tenho alguns problemas com a narrativa em primeira pessoa, principalmente pelo fato de os personagens sempre deturparem as relações em favor deles, eu gosto de ver os outros pontos de vista.

Mas o livro não é apenas sobre uma família que vive brigando, a autora traz algumas reviravoltas na trama que me deixaram bastante surpresa. Uma delas é na adolescência dos irmãos em que a avó materna reaparece de surpresa explodindo uma bomba na família, o que leva ao irmão de Mariana querer ir estudar no exterior, explodindo outra bomba, o uso das drogas e a tentativa árdua da família para reestruturar a saúde do primogênito.

Com o passar do tempo, a separação dos pais e mais alguns fatos ocorrem que mostram que por mais conflitos que eles tenham os pais sempre tentarão proteger seus filhos de uma forma que nenhuma outra pessoa no mundo irá fazer, mas não porque acham que devem fazer por obrigação, mas sim por amor, para proteção de sua cria.

Mesmo achando que a mãe é uma chata, pelo menos na maior parte do livro, achei também que muitas vezes ela tinha a mesma idade da filha. Em minha opinião, o pai sempre tenta ser conciliador demais e deixa tudo pra depois, a família dele (os pais e a irmã) sendo aquelas pessoas que se metem demais na vida daquele núcleo, o Guga (o irmão de Mariana), sendo um ingrato e Mariana (a protagonista) tentando ser a heroína. Os personagens tendem a ser mais uma família que tenta resolver seus problemas da forma deles e em partes se completando, mas que poderiam ter evitado boa parte de seus problemas com uma conversa.

Mesmo não sendo a história da minha família, me identifiquei em várias partes do livro, além de possuir uma leitura leve e densa ao mesmo tempo. Leve pela forma que a autora escreve e denso pelos assuntos que ela traz, tratando de aborto, drogas, relação conjugal e familiar, é viciante.


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